domingo, 7 de agosto de 2011

Acorda Brasil, acorda

I
Acorda Brasil, acorda
Já é tempo de acordar
Mas é preciso uma corda
Para os ladrões amarrar

II
Nesse país continente
Pro ralo o dinheiro vai
Do nordeste do oxente
Ao sudeste do uai

III
Oh! Brasil que não tem jeito
Com tanta gente que furta
Povo da memória curta
Que acha tudo perfeito
Que o político sem conceito
Esnoba na eleição
Com o dinheiro na mão
O voto do pobre atrai
E o nosso dinheiro vai
Pro ralo corrupção

IV
Eita país da propina
Do jeitinho brasileiro
Que a farra do dinheiro
Acontece em todo esquina
Que há anos contamina
A moral dessa nação
Que o político ladrão
Na ratoeira não cai
E o nosso dinheiro vai
Pro ralo corrupção

V
Brasil da impunidade
Porque a justiça é lenta
E o político se isenta
Porque tem imunidade
Cresce a criminalidade
Por falta de educação
Começou na fundação
E esse vício nunca sai
E o nosso dinheiro vai
Pro ralo corrupção

VI
Brasil que só tem artista
Nessa arte de enganar
Quem tem grana pra comprar
O seu diploma conquista
País aonde o lobista
Tem status de barão
Quando se fala em prisão
Pra justiça diz bye-bye
E o nosso dinheiro vai
Pro ralo corrupção

VII
Desde o tempo de Cabral
Que o Brasil não é sério
Que roubar não é mistério
Do cruzeiro pro real
No Distrito Federal
Se instalou o mensalão
Pra receber comissão
Do empréstimo que contrai
E o nosso dinheiro vai
Pro ralo corrupção

VIII
Brasil de um povo sofrido
Que suporta tanto tranco
Que o dinheiro do banco
Vai para as mãos do bandido
E assim mesmo tem crescido
Com tanta esculhambação
Brasil pentacampeão
Que da roubalheira é pai
E o nosso dinheiro vai
Pro ralo corrupção

IX
Disse antes de morrer
Rui Barbosa em manifesto
Que o brasileiro vai ter
Vergonha de ser honesto

X
Sou um brasileiro honesto
Que por direito inda sonha
Que faço esse manifesto
Pra que criemos vergonha

Veja esse poema declamado no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=S8Q4Qy5Z53k

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Construção de um sonho

Um plano de vida arquitetado
No caderno de sonhos da criança
O pincel de madeira da esperança
No terreiro de casa desenhado

Com seus pais o projeto elaborado
Nos pilares da fé e confiança
Quem planeja com Deus no fim alcança
E Vinícius agora está formado

Neste dia recorda tão feliz
O desenho que fez e os perfis
Do castelo de sonhos no terreiro

Que o site da mente guardou tudo
Cada passo que deu pelo canudo
Que o faz nessa noite um engenheiro

*Soneto feito ao jovem Vinícius Feitosa ao terminar o curso de Engenheiro Civil

sexta-feira, 24 de junho de 2011

São João do Cajueiro

I
Eu fico na minha casa
A saudade eu sei que voa
Partindo de João Pessoa
Deixando meu peito em brasa
E como não tenho asa
Eu sofro resignado
Pois o tempo tem queimado
A lenha da minha idade
Aí como tenho saudade
Do São João do passado

II
O São João do passado
Era puro e verdadeiro
Da fogueira, milho assado
Do forró pelo terreiro
Nessa saudade se integre
Pra recordar Monte Alegre
Na festa do Cajueiro

III
Que a festa do Cajueiro
Tenha o maior bom astral
Com bandeiras e balões
Colorindo o visual
Muita comida gostosa
E a família Feitosa
O cardápio principal

IV
Porque é fundamental
A lembrança de Pai João
O saudoso João Feitosa
O símbolo da tradição
Quem é que não lembra dele
Tudo aqui parece ele
Que amava tanto esse chão

V
Um filme de emoção
Passa em cada memória
Toda a vida de Pai João
Toda a sua trajetória
Três casamentos de amores
Foi com Maria das Dores
Que começou essa história

VI
Foi um período de glória
Que tanto afeto continha
E desse inverno tão curto
Ficou uma sementinha
Um filho muito querido
Que tornou-se conhecido
Com o nome de Feitosinha

VII
Um outro amor foi Zefinha
No segunfo casamento
De tantas festas juninas
Trabalho e divertimento
Que foram fazendo os trilhos
Pra conduzir os seis filhos
No mais belo sentimento

VIII
Vem o primeiro rebento
Foi José do Cajueiro
Depois nascia o Antonio
Forte igual um juazeiro
Com Lourdes mudava a trilha
Nascia a primeira filha
Desse amor tão verdadeiro

IX
Geraldo nasceu fagueiro
Com tanta festividade
O quinto foi Seu Arnoud
Desse ninho de amizade
E Seu Chico encerraria
Esse círculo de alegria
De paz e felicidade

X
Teve continuidade
A sua história de amor
Ele era abençoado
Por Deus o nosso senhor
Que deu pra João Feitosa
Um casamento com Rosa
Que tinha o nome de Flor

XI
No seu jardim de amor
Quatro rosas na roseira
Zefinha "Dona Dodó"
No jardim foi a primeira
A segunda foi Vicentão
O caçula do Pai João
E Nadir foi a terceira

XII
Neli foi a derradeira
Pra brilhar nesse farol
Com três luas diferentes
Nos raios de um único sol
Pai João forte igual bronze
Foi o genitor dos onze
Um time de futebol

XIII
O time de futebol
Multiplicou-se por dois
Porque cada uma semente
Com seu par se compos
Numa outra trajetória
Cada um com sua história
Que contaremos depois

XIV
Formou-se um baião de dois
De Adélia com Feitosinha
Dona Lila de José
Tornou-se a sua rainha
Bernadete com Antonio
Era mais um matrimônio
Que no Monte Alegre tinha

XV
Lourdes seguiu nessa linha
Com Antonio se casou
Geraldo com Valdelice
Maria com Seu Arnoud
Que festa maravilhosa
Seu Chico em Dona Carmosa
A sua miss encontrou

XVI
Dona Zefinha casou
Com seu querido Chiquinho
Vicentão fez com Tutu
Um maravilhosa ninho
Adalberto com Nadir
Hilton encontrou em Neli
Sua fonte de carinho

XVII
Do engenho de carinho
Pai João foi o arquiteto
Dos filhos, noras e genros
O alicerce completo
Muitos já estão no céu
E o Cajueiro o troféu
De neto a tataraneto

XVIII
Que seja um São João repleto
De amor e de esperança
Que o fogo da fogueira
Não queime nossa lembrança
Que o adulto do presente
Ele foi antigamente
Nesse terreiro a criança

domingo, 12 de junho de 2011

Páscoa

I
Se a Páscoa é liberdade
Aproveite e se liberte
Quem na Páscoa se converte
Terá mais felicidade
Porque a fraternidade
Na mesma medida vem
Não é só dizendo amém
Que a prática se perpetua
A sobra que tem na sua
Falta na mesa de alguém

II
Que nesta Semana Santa
Não negue de modo algum
A quem lhe pedir jejum
No café, almoço ou janta
A sua mesa tem tanta
A mesa dele está sem
Com aquele que não tem
Você que tem, distribua
A sobra que tem na sua
Falta na mesa de alguém

III
Não deixe voltar vazia
A mão de nenhum mendigo
Que pedir no seu abrigo
Uma ajuda neste dia
Que desta filosofia
Não se exclua ninguém
Que possa fazer o bem
A quem padece na rua
A sobra que tem na sua
Falta na mesa de alguém

IV
A Páscoa só é completa
Se houver a doação
Com fé e a devoção
Que só Jesus interpreta
Porque doar foi a meta
Do salvador de Belém
Você doando também
Cristo em você continua
A sobra que tem na sua
Falta na mesa de alguém



Falsos Profetas

I
É assim que se portam alguns pastores
Espalhados por todo esse país
Explorando a um bando de infantis
De fanáticos que são seus seguidores
Aleluia é a senha nos louvores
Que a Igreja parece um hospital
O dinheiro a receita principal
E a cura enganosa é a doutrina
Os pastores não cursam medicina
Mas são bons de lavagem cerebral

II
No engodo da fé ele se forma
Pra tirar seu diploma de eficácia
Do seu templo ele faz uma farmácia
Dá calote no mano a sua norma
Construir sua casa a plataforma
Carro novo o primeiro ritual
Paletó e gravata o enxoval
Que o pastor se apresenta em toda esquina
Os pastores não cursam medicina
Mas são bons de lavagem cerebral

III
Ele bota anestésico em seu sermão
Pra passar essa droga para o povo
Bota mais um obreiro baba ovo
Pra pegar o dinheiro em cada mão
Na TV já tornou-se a sensação
Cada bispo já tem o seu canal
Todo dia esse lixo cultural
Nos agride, inferniza e contamina
Os pastores não cursam medicina
Mas são bons de lavagem cerebral

IV
Pregadores os padres são também
Muitos deles já andam nessa linha
O dinheiro a primeira ladainha
Aleluia eles trocam por amém
O espaço na mídia também tem
E a retórica parece tão igual
A mudança é apenas visual
Paletó de vigário é a batina
Os pastores não cursam medicina
Mas são bons de lavagem cerebral

V
Ele assume o papel de conselheiro
Com a bíblia colada no suvaco
Pra pegar o seu dízimo traz um saco
E a meta é enchê-lo de dinheiro
No discurso ele diz ser mensageiro
De poderes que curam todo mal
Que a oferta é semente especial
Que plantada na fé ela germina
Os pastores não cursam medicina
Mas são bons de lavagem cerebral




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Revolta do retratista

I
Máquina de fotografia
Eu te odeio de fato
Seu clique sofisticado
Toda cheia de aparato
Desse modernismo seu
A lambe-lambe morreu
Máquina de tirar retrato

II
Máquina de tirar retrato
Seu monstro destruidor
Você pra ter mais poder
Uniu-se ao computador
Mas sou saudosista franco
Que a foto preto e branco
Tinha muito mais fulgor

III
Não possui nenhum amor
Essa tecnologia
Que tirou do retratista
O seu pão de cada dia
Da foto tira o defeito
Deixa a retrato perfeito
Mas não bota poesia

IV
Acabou com a alegria
Lá do velho calçadão
Com esse seu photoshop
Da mais pura enganação
Que só maquia o meu rosto
Mas não revela o desgosto
Que fez no meu coração

Teorema da vida

I
A vida uma equação
Complicada de entender
Só você pode obter
O xis do sua questão
Para a sua solução
Não tem fórmula nem modelo
Eu busco a resposta pelo
Rascunho do que disponho
A teoria é um sonho
E a prática é um pesadelo

II
Vivo essa matemática
Buscando sabedoria
Tão fácil na teoria
Muito difícil na prática
Experiência é a tática
Pra evitar atropelo
Não vá no primeiro apelo
Que se apresenta risonho
A teoria é um sonho
E a prática um pesadelo

III
Procuro diariamente
O mapa da minha mina
O mestre tempo me ensina
Qual é a melhor vertente
Qual é o lado do quente
Qual é o lado do gelo
Eu mesmo coloco o selo
De sorridente ou tristonho
A teoria é um sonho
E a prática um pesadelo

IV
Qual é a melhor saída?
Somar ou diminuir
Multiplicar, dividir
Não tem regra definida
De cada linha da vida
Eu fui formando um novelo
E os nós com muito zelo
A desatá-los me ponho
A teoria é um sonho
E a prática um pesadelo